A força da fragilidade

Ela se encolheu de frio. Ou de medo? Era receio.

Emudeceu os lábios. Umedeceu os olhos.

Nunca esteve tão linda. Aquela tristeza a enfeitava. A serenidade era atraente.

Dava vontade de beijar a boca salgada pelas lágrimas. Trazer junto ao peito o dorso contraído. Esquentar as mãos geladas.

Sua tensão ia embora com os nós dos cabelos desfeitos pelas minhas mãos.

Ela sorria, aflita, brincando de dizer verdades.

Se aconchegava, desajeitada, nas incertezas. Respirava minhas promessas. Se apoiava em expectativas.

Mas os fatos a derrubavam.

Ela temia a verdade. Mas sonhava em possui-la. E o que faria com ela?

Quando se desequilibrava, derrubava um pouco da alma que transbordava.

Ela era vulnerável.

Não, não era fraqueza. Tinha algo de encantadoramente suscetível naquela menina.

As porcelanas mais valiosas são as mais frágeis. Os mais saborosos suflês são os mais suaves. Os pedidos mais bem atendidos são os mais sutis.

Esmeraldas são preciosas. Mas tão delicadas…  Quero tê-las, mesmo sabendo que podem quebrar. Sei do risco e o desejo parece aumentar.

A vida é tão bela por ser tão frágil.

A fragilidade é forte, no fim das contas.

Ela instiga um instinto de cuidar. Uma vontade de amar. Chamar de meu.

Fecho a porta para o vento não dobrar as flores que ela trouxe.

Chagall

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