Um mundo todo

Tudo que dissermos aqui deve ficar entre nós.

Promete?

As pessoas são más.

E eu tenho medo.

Quero construir segredos para colecionarmos.

O que acha?

Empilhados, eles vão formar nosso pequeno mundo.

Dois que se amam já são um mundo todo.

E nem tão pequeno assim.

Shh! Fale baixo, você pode me assustar.

Ou pior: alguém pode nos ouvir.

Não, não acenda a luz.

Gosto de ver no escuro.

Não te ver, vendo.

Ver as coisas que não vemos com os olhos.

Mas o breu dura pouco.

Logo nos acostumamos com a escuridão.

E nos vemos, entre vultos e intenções.

Tudo bem, não precisa desligar o som.

Mas não aumente.

É bom ouvir a ausência das nossas palavras.

Nessas pausas tento escutar seus pensamentos.

Pare de rir por eu estar te olhando.

Deixe-me investigar você.

Contar quantas linhas se formam na sua testa zangada.

Quantos dentes aparecem quando você ri.

O quanto a pupila dilata quando olha pra mim.

E a sobrancelha arqueia no sarcasmo.

Agora largue o telefone.

É sério!

Senão vou embora.

Juro.

E não volto.

O que ele tem que eu não tenho?

Me dê a mão.

Vamos sair daqui.

Nos extinguir da terra.

Passear pelo nosso planeta.

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