A melhor enfermidade da terra

Numa debilidade meiga, o doente emite vozes e onomatopéias infantis.

Sofre de paralisia. O maxilar congela com os dentes à mostra.

Perde todo e qualquer senso de temporalidade. Quatro horas? Nove horas? Mas foram minutos!, garante.

Tem visões. Vê miragens. Enxerga ao menos três estrelas cadentes por noite.

Sonhos recorrentes o assaltam. Em repouso ou à luz do dia, quando a concentração o abandona e o piloto automático do inconsciente assume o controle.

Controle? Ele não tem nenhum. É um disléxico em conter impulsos. Um escancarador reprimido.

Tem insônia crônica por conta de cismas lunáticas. Colocou na cabeça que prefere ficar acordado, saboreando pedacinhos do dia.

Tem vertigem. Mas um caso peculiar. Tem medo de cair das nuvens.

Costuma estar faminto. Sedento. Insaciável. Mas curiosamente, não ganha peso. Só conserva algumas dobrinhas no abdômen.

Sofre de perda de audição. Não ouve os outros. Não ouve ninguém. Só os batimentos do coração.

Contemplativo, jura, convicto, que está bem. Que não lhe aconteceu nada.

Nada. Olha para ele. Solta uma longa gargalhada.

Quem olha diz que está louco.

Calma… Não se deve contrariá-lo.

Sim, certamente é um caso delicado.

Grave. Contra a gravidade.

Raro, raríssimo. De quando em nunca diagnosticado.

Não tem cura.  Antídoto.

Tratamento que remova o bom mal que ataca o paciente.

Vitamina C que amenize os sintomas.

Mas basta dar a ele a outra metade da sua laranja…

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