Sílabas incompreensíveis

Estava imersa em pensamentos. 

Até que seu grito rompeu o silêncio. O de fora e o de dentro.

O mesmo impacto que teria o sussurro, em meio à gritaria. 

Mas o que queria dizer? 

Tanto o eco atirado ao léu quanto o sussurro preso na mente continuavam indecifráveis.

Nunca entendi aquelas palavras. 

Nem porque a voz quis se fazer presente.

Notada. 

Sonora.

Ali. Naquele momento. 

Num estalo que ninguém ouviu. 

Aquela fala fazia cócegas nos ouvidos. 

Soltava meus músculos. 

Envolvia alguma coisa dentro de mim. 

Deixava o cérebro em stand by. 

Não era grossa, nem aguda demais. 

Apenas eu a escutava naquela freqüência. De tempo. De onda. De batimento.  

A voz do amor é ouvida de maneiras diferentes. 

Pra mim, soava doce. 

Não demais. 

Tinha gosto de sorvete. 

Chocolate com pistache. 

E cheirava a bolo quente. 

Deslizava como seda pela nuca. 

Mas era volátil. 

O som que sai da boca é a transcrição de que?

Palavras podem ser a tradução exata de pensamentos do cérebro. Ou do coração.

Podem, contudo, ser dissimuladas. Se disfarçar em entonações.

Mesmo sem saber precisar a resposta, estudei o timbre. 

Testei as modulações. 

Não tapei os ouvidos.

Só que continuei sem compreender as sílabas. 

Image

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s