Na falha da caneta

Será que ele sonhou com o diálogo que nunca existiu?

Ou imaginou uma provável conversa dos dois?

Adivinhou o que ela teria pensado.

Farejou sua reação antes de ela ousar se manifestar.

Anteviu o riso despretensioso.

Enxergou a iminente lágrima que ainda não chegara aos olhos.

Segurou sua mão na hora que o coração se comprimia de dor.

Entendeu a complexidade expressa no olhar vazio.

Mas ela era assim, tão previsível?

Não. Eram interseções. Conexões mentais.

Raros cruzamentos sem saída que encurralam duas pessoas.

Num nó cego que o homem não sabe desatar.

Que acontecem no distraído baixar de guardas da razão.

No momento em que o sopro ainda não extinguiu a chama.

Na falha da caneta.

Esse interminável instante em que a garfada não chegou à boca é suficiente para perfurar o coração.

Turvar a vista. Proibir a racionalidade.

Deixar sempre famintos os gulosos que se alimentam de amor.

instant

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