Uma ciência milenar (em desuso)

Ele vai de bicicleta. Ela, a cavalo.

Na mesma direção.

 

Ela sonha sonetos de Shakespeare. Ele, comerciais de Marlboro.

Mas não se desgrudam no sono.

 

Ela é letras. Ele, números.

Se somam, no entanto, com o mesmo denominador.

 

Ele fala palavrão. Ela, alemão.

Entre si, tagarelam no idioma do silêncio.

 

Ele é botafoguense doente. Ela não liga pra futebol.

Mas veste a camisa do seu time para deixá-lo feliz.

 

Ele nada. Ela pega sol.

Depois se afogam juntos no mar de cobertores.

 

Ela gosta da luz do dia. Ele se contenta com a do abajur.

Não vive, contudo, sem a dos seus olhos.

 

Ele é destro. Ela, canhota.

E ambidestros entre si.

 

Ela rabisca o livro. Ele lê no tablet.

Sua literatura favorita, porém, são seus poemas.

 

Ela bebe Do Bem. Ele, Guaraná.

Se embriagam é de si mesmos.

 

Ela mal pega no sono. Ele não sabe domar as pálpebras.

Mas se encontram nos piscares.

 

Ele olha. Ela não agüenta.

Irrompem numa gargalhada repartida.

 

Ele come hambúrguer com molho especial. Ela, Tekamaki com teryiaki.

Mesmo assim, se temperam com os mesmos condimentos de acelerar o metabolismo.

 

É química? Metafísica?

É amor.

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