Ela queria ser sono

Os olhos dela pesavam sob os cílios virados de curvex, mas não dormia. Nem dormiria. Não sabia dormir assim, junto dele. Seu corpo podia até ficar inerte, mas o coração não sossegava. O dele batia como pingos de chuva fraca, dando o tom da respiração dela. O barulho daquele batimento: seu som favorito.
Ela calculava seus movimentos mais para não perdê-lo de vista que para não acordá-lo: é que tinha ciúme do sono. Nunca o tinha visto tão entregue quanto naquele desacordar. Suspirou: queria ser seu sono depois de noite em claro, de copo de vinho, seu sono como de criança que não tem medo.
Ela estudava-o; aluna aplicada em véspera de prova. De olhos abertos, cuidava do sono que não era dela. De olhos abertos, tentava adivinhar que sonhos povoavam a mente que ela queria que só pensasse nela.
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