Dezembro

Tinha começado a sexta-feira dos meses: estávamos em dezembro. Eu queria que ele chegasse logo, mas quando chegou, que ainda não tivesse vindo. Dezembro era mais curto que fevereiro e mais rápido que as férias de julho. Ora rave, ora almoço em família de domingo. Híbrido, reunia formalidades de natal e pirações do réveillon. Ansiedade, nostalgia, euforia e decepção: sintomas da estação. Dezembro era as tpms, infernos astrais e os despertares com pé esquerdo. E os fins de semana mais divertidos; aliás, dezembro é um grande fim de semana intercalado por algumas segundas. Dezembro é DR coletiva. Amor demais. Xingamos e abraçamos pelo mesmo motivo, misturando gargalhadas com lágrimas. Dezembro abre um ciclo que só se encerra no carnaval: ninguém começa a namorar, mas o mês aflora términos iminentes. Os copos transbordam. De vodka também: dezembro é mês de tentar a sorte e fazer as loucuras que janeiro não permite. Se apaixonar por estranhos em festas aleatórias e deixar a cidade especulando sobre o futuro. Se fosse uma palavra, dezembro seria “expectativa”. Se fosse duas, incluiria “dúvida”. Dezembro é pré adolescente de mau humor e adulto em crise. Mas dezembro também é último mês de gravidez: cheio de pontadas e amor incubado…
Seja breve o bastante e tão longo necessário.
december
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Um pensamento sobre “Dezembro

  1. Tive a felicidade de me deparar com seu blog e suas palavras sobre a sexta-feira dos anos e o Natal. Excelentes e bonitas reflexões! Parabéns!

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