Um perfume que não conseguimos fotografar

Cheguei a imaginar a impossibilidade de precisar o instante em que duas pessoas se apaixonam. Contradigo-me: ouvindo uma música às vozes de um par, mudei de ideia. Num trecho dialogado, “Alexander” revela para “Jane” que se apaixonou por ela depois da queda da janela, levando-a pro hospital, enquanto ela fumava um cigarro no banco de atrás achando que seria seu último. Que belo recorte. Foi ali, exatamente ali, no desespero, na adrenalina, com o pé no acelerador e o coração em contração. Ele a vê descabelada no espelho, atrás da neblina de fumaça, e descobre ser louco por ela. Uma verdadeira epifania de amor, orgasmo sentimental. Será que ele soube na hora? Aliás, não terá sido apenas a confirmação de uma certeza? Por que então ficou anos sem contar para ela? Alexander não tinha certeza; deve tê-la dito naquele momento. Ou sempre soube ser amor, ou nunca saberá. Essa exatidão é formalidade. Vou contradizer a contradição: o amor será sempre um perfume que não conseguimos fotografar.

Unknown

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