Jornada de pensamentos proibidos

Nas primeiras pinceladas de vermelho no céu, ela respira aliviada: não se chora pela manhã. Tem sonho de passar o verão num país nórdico e se refugiar na luz das estrelas. Claridade cega as tristezas. Sabendo disso, ela se levanta com o sol e vai dormir tão logo ele desaparece. Nem sempre consegue, no entanto; tem dias que o sono se aborrece e vai embora. Noutros, brinca de esconde-esconde com a luz do abajur. Um “bobinho” com seu coração. Noite é vazio, mudez ensurdecedora. Parasita emoções transbordantes. Ela não gosta da noite, auto-falante dos pensamentos que procura silenciar num cantinho da alma. Deitada sozinha, assiste a filmes de terror sem apertar “play”. Uma rebobinação compulsória de cenas que não quer ver. Ninguém dá bola quando confessa seu medo de escuro. Não conseguem entendê-la: o problema não é a negritude da noite, tem pavor é da estrada deserta, jornada de pensamentos proibidos, que é a madrugada.

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