Botões para quê?

É domingo, é chuvoso e é longe. Outra língua, outra hora. Estou só; mas sou deserto povoado. Preciso escrever, penso. Quero conversar com alguém e posso me quebrar o galho enquanto meu mundo dorme. Vou ficar a sós até que ninguém chegue. Se não tivesse uma voz que não para de falar dentro de mim, seria como se hoje não tivesse existido.
O confinamento é programado – deve fazer bem esse recolhimento; para botar as ideias arejando sem que ninguém pergunte sobre elas, olhar como os sentimentos se comportam nas ausências. O novo se apresenta sem cerimônia, enquanto descubro acidentes geográficos em mim – acho que nenhum beco sem saída incontornável.
Ficar sozinha, tanto que dá saudade das amigas chatas, é para os corajosos, os que não se incomodam em se perder em própria companhia nem com os olhares no restaurante em mesa de apenas uma pessoa. Estar na condição de solitário é poupar a voz, rir um pouco menos e elucubrar sobre a ranhura no mármore ou a última grande decisão.
Entre os reveses, ficar sozinho dói devagarinho, despertando emoções primárias: como eu precisava de um bichinho de pelúcia para abraçar à noite! A blusa que abotoa atrás? Vai voltar limpinha, sem utilidade alguma em viagem de uma mulher só.
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