morrem(os)?

o amor não morre
ele vaga
errante pelos corações
desabrigados
de amor

morre o outro
em nós
desfeitos
defeitos
demolidos
morre o que éramos
um para o outro
nos dias cindidos
e não mais nossos

morrem os sorrisos
arrancados no meio da tarde
chata no trabalho
as noites sem dormir
porque a felicidade não cabia
nos sonhos
morrem
as borboletas
do estômago
embrulhado

morrem os planos
das conversas antes de dormir
as viagens
de roteiros mentais
planejados em sábado
preguiçoso
na frente da tevê
morre a presença quente
ladra de edredom
do outro lado da cama

ficam as roupas perdidas
em casas estranhas
as saudades
das famílias emprestadas
e dos focinhos molhados dos
Billys, Tobys e Barts

amarelam as cartas
com suas enumerações
de adjetivos e superlativos
promessas de eternidade
até o fim

pesam as lembranças
guardadas em HD externo
que nunca mais
plugaremos na mente

e não se sabe o que fazer com as fotos
de beijos e abraços
finitos
molduras de um amor
desamado
desalmado

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looping

sou eletrocardiograma
pulsante
detesto a linha reta
do coração que para de tocar

corpo humano
sagrado, profano
o amor
em pele e coração
me mutila
sinto tanto quanto
amo
e sofro

para lá e para cá
sou onda do mar
em paixão ressaca
montanha russa
de looping
três voltas
e quero mais

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da onde vem

no caminho, uma rima
tropeço
tenho matéria prima
transbordo

tecla atrás de tecla
dor atrás de dor
e assim devagarinho
dou luz a versos de amor

eles nascem frágeis
como pétala de flor
aos sentimentos, dão cor

o que há por detrás
das estrofes que molham
os olhos?

poesia é homeopatia
de literatura
anestésico
de coração
alimento de uma ilusão

construção
poesia é feito prédio
se ergue do nosso chão

poesia?
alma gritando
chorando
implorando
e dizendo que não

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