morrem(os)?

o amor não morre
ele vaga
errante pelos corações
desabrigados
de amor

morre o outro
em nós
desfeitos
defeitos
demolidos
morre o que éramos
um para o outro
nos dias cindidos
e não mais nossos

morrem os sorrisos
arrancados no meio da tarde
chata no trabalho
as noites sem dormir
porque a felicidade não cabia
nos sonhos
morrem
as borboletas
do estômago
embrulhado

morrem os planos
das conversas antes de dormir
as viagens
de roteiros mentais
planejados em sábado
preguiçoso
na frente da tevê
morre a presença quente
ladra de edredom
do outro lado da cama

ficam as roupas perdidas
em casas estranhas
as saudades
das famílias emprestadas
e dos focinhos molhados dos
Billys, Tobys e Barts

amarelam as cartas
com suas enumerações
de adjetivos e superlativos
promessas de eternidade
até o fim

pesam as lembranças
guardadas em HD externo
que nunca mais
plugaremos na mente

e não se sabe o que fazer com as fotos
de beijos e abraços
finitos
molduras de um amor
desamado
desalmado

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